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Dra. Isabella Gurgel – Ginecologista em Manaus – AM

Por Dra. Isabella Gurgel Moreira — Ginecologista

O HPV (Papilomavírus Humano) é, hoje, a infecção sexualmente transmissível mais prevalente no mundo, e está diretamente relacionado a praticamente todos os casos de câncer de colo do útero. Apesar disso, ainda existe muita desinformação sobre o tema: muitas mulheres acreditam que ter HPV significa, necessariamente, ter câncer; outras acham que, se o exame deu negativo uma vez, não precisam mais repetir o rastreio; e há também quem associe o diagnóstico de HPV a julgamentos sobre a vida sexual, gerando vergonha e silêncio em torno de um assunto que deveria ser tratado com naturalidade e informação.

Este artigo tem como objetivo esclarecer, de forma detalhada e com base em evidências científicas atuais, o que é o HPV, como funciona o rastreio de HPV e do câncer de colo uterino, quais são os fatores de risco, como é feito o diagnóstico, as opções de tratamento e, principalmente, como a prevenção pode literalmente salvar vidas.

Por que escolher a Dra. Isabella Gurgel como sua ginecologista?

A atuação de profissionais especializadas, como a ginecologista e obstetra Dra. Isabella Gurgel, que atende em Manaus e região, permite oferecer um cuidado integral, personalizado e baseado em evidências científicas atualizadas.

Dra. Isabella é referência em Manaus, AM. Formada em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em 2016, com residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) em 2020, e Fellowship em Ultrassonografia Obstétrica pelo Cetrus em 2025 — uma das formações mais reconhecidas do país nessa área.

Seu grande diferencial vai além do currículo: é a forma de enxergar a mulher com profundidade e precisão. Com atuação em ginecologia geral, saúde hormonal, ginecologia endócrina, uroginecologia e rastreio e acompanhamento de HPV, ela oferece um olhar completo sobre a saúde feminina — do preventivo ao especializado, da rotina ao que exige mais atenção.

Seu propósito? Um atendimento individualizado, prático e baseado em evidências — porque cada mulher merece uma consulta pensada para ela, não para a média.

Ao unir formação sólida, especialização técnica avançada e uma abordagem direta e humanizada, a Dra. Isabella entrega mais do que uma consulta: entrega segurança, clareza e um cuidado que respeita a individualidade de cada paciente.

Clínica Coth — Edifício Cemon, Sala 415 | Manaus, AM

O que é o HPV e por que ele é tão relevante na ginecologia?

O HPV é um vírus de DNA que infecta células epiteliais da pele e mucosas. Existem mais de 200 subtipos identificados, sendo que aproximadamente 40 deles podem infectar a região genital. Esses subtipos são classificados, de forma geral, em dois grandes grupos:

  • Tipos de baixo risco oncogênico: associados principalmente a verrugas genitais (condilomas), como os tipos 6 e 11.
  • Tipos de alto risco oncogênico: associados ao desenvolvimento de lesões precursoras e câncer, sendo os tipos 16 e 18 responsáveis pela maior parte dos casos de câncer de colo do útero no mundo.

A transmissão do HPV ocorre principalmente por contato pele a pele ou mucosa a mucosa durante a atividade sexual — não exclusivamente por relação sexual com penetração. Por isso, o uso de preservativo reduz, mas não elimina completamente, o risco de transmissão, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pelo preservativo.

Por que a maioria das infecções por HPV não causa câncer?

Um dado fundamental, e muitas vezes desconhecido, é que a maioria das infecções por HPV é transitória e resolvida espontaneamente pelo sistema imunológico, geralmente dentro de 1 a 2 anos, sem causar qualquer lesão significativa. Estima-se que a maior parte das mulheres sexualmente ativas entrará em contato com o HPV em algum momento da vida, mas apenas uma pequena fração desenvolverá lesões persistentes que, se não identificadas e tratadas, podem evoluir para lesões precursoras do câncer.

É justamente por essa razão que o rastreio regular é tão importante: ele permite identificar as mulheres cujo organismo não conseguiu eliminar o vírus e que, por isso, têm maior risco de desenvolver lesões que precisam de acompanhamento ou tratamento — antes que evoluam para câncer.

Fatores de risco para persistência do HPV e desenvolvimento de lesões

Embora a infecção pelo HPV seja extremamente comum, alguns fatores aumentam a probabilidade de que o vírus persista e de que lesões precursoras se desenvolvam:

  • Tabagismo: o cigarro reduz a capacidade do sistema imunológico local de eliminar o vírus e tem efeito direto sobre as células do colo do útero.
  • Imunossupressão: pessoas vivendo com HIV, em uso de medicações imunossupressoras ou com outras condições que comprometem a imunidade têm maior risco de persistência viral e progressão de lesões.
  • Múltiplos parceiros sexuais (próprios ou do parceiro): aumentam a probabilidade de exposição a diferentes subtipos do vírus.
  • Início precoce da vida sexual: está associado a maior tempo de exposição cumulativa ao vírus.
  • Outras infecções sexualmente transmissíveis associadas: podem favorecer a persistência viral e a progressão das lesões.
  • Ausência de vacinação contra HPV: a vacina reduz significativamente o risco de infecção pelos subtipos mais associados ao câncer.
  • Histórico de imunodeficiências ou uso prolongado de corticoides: compromete a resposta imune local.

É importante destacar: ter HPV não é sinônimo de promiscuidade, traição ou comportamento de risco. É uma infecção extremamente comum, presente na maioria da população sexualmente ativa, e seu diagnóstico deve ser tratado com a mesma naturalidade clínica de qualquer outra condição médica — sem estigmas.

Embora a infecção pelo HPV seja extremamente comum, alguns fatores aumentam a probabilidade de que o vírus persista e de que lesões precursoras se desenvolvam:

  • Tabagismo: o cigarro reduz a capacidade do sistema imunológico local de eliminar o vírus e tem efeito direto sobre as células do colo do útero.
  • Imunossupressão: pessoas vivendo com HIV, em uso de medicações imunossupressoras ou com outras condições que comprometem a imunidade têm maior risco de persistência viral e progressão de lesões.
  • Múltiplos parceiros sexuais (próprios ou do parceiro): aumentam a probabilidade de exposição a diferentes subtipos do vírus.
  • Início precoce da vida sexual: está associado a maior tempo de exposição cumulativa ao vírus.
  • Outras infecções sexualmente transmissíveis associadas: podem favorecer a persistência viral e a progressão das lesões.
  • Ausência de vacinação contra HPV: a vacina reduz significativamente o risco de infecção pelos subtipos mais associados ao câncer.
  • Histórico de imunodeficiências ou uso prolongado de corticoides: compromete a resposta imune local.

É importante destacar: ter HPV não é sinônimo de promiscuidade, traição ou comportamento de risco. É uma infecção extremamente comum, presente na maioria da população sexualmente ativa, e seu diagnóstico deve ser tratado com a mesma naturalidade clínica de qualquer outra condição médica, sem estigmas.

Rastreio de HPV: Como Funciona, Quando Começar e com que Frequência

O rastreio de HPV e do câncer de colo do útero é realizado por meio de exames específicos, cuja indicação varia conforme idade, histórico de exames anteriores e fatores de risco individuais. As diretrizes podem variar entre países e sociedades médicas, mas seguem princípios gerais semelhantes.

Principais métodos de rastreio:

  • Citologia oncótica (Papanicolau): exame clássico de rastreio, que avalia alterações celulares no colo do útero por meio da coleta de material com espátula e escova.
  • Teste de DNA-HPV (teste molecular): identifica a presença do material genético do vírus, sendo capaz de detectar infecções por subtipos de alto risco mesmo antes de qualquer alteração celular visível.
  • Co-teste (Papanicolau + teste de HPV): em alguns protocolos, os dois exames são realizados em conjunto para aumentar a sensibilidade do rastreio.
  • Inspeção visual com ácido acético: método utilizado principalmente em locais com acesso limitado a exames laboratoriais, como estratégia de rastreio em larga escala.

Quando iniciar e encerrar o rastreio?

De forma geral, as recomendações seguem este padrão (sempre sujeitas à avaliação médica individual):

  1. Início do rastreio: geralmente recomendado a partir dos 25 anos, independentemente da idade de início da vida sexual, conforme diretrizes de diversas sociedades de ginecologia e obstetrícia.
  2. Periodicidade: varia conforme o método utilizado — exames baseados em DNA-HPV tendem a ter intervalos mais longos entre coletas (a cada 3 a 5 anos, em caso de resultados normais), enquanto a citologia isolada costuma ter intervalos menores.
  3. Encerramento do rastreio: em geral considerado a partir dos 64–65 anos, desde que a mulher tenha histórico de exames anteriores adequados e normais — essa decisão deve ser individualizada e discutida com o médico.

Um ponto importante: mulheres que já realizaram histerectomia total por motivos benignos (sem relação com lesões pré-malignas ou câncer) podem, em determinados casos, não precisar continuar o rastreio do colo do útero — mas essa também é uma decisão que deve ser tomada de forma individualizada, com a médica responsável.

Vacinação contra o HPV

A vacinação contra o HPV é uma das estratégias de prevenção primária mais eficazes já desenvolvidas na medicina moderna. As vacinas disponíveis protegem contra os subtipos de HPV mais associados ao câncer de colo do útero e a outras neoplasias relacionadas ao vírus (como câncer de vulva, vagina, ânus, orofaringe e pênis).

  • Faixa etária prioritária: a vacinação é mais eficaz quando administrada antes do início da vida sexual, geralmente entre 9 e 14 anos, mas pode ser indicada também para adolescentes e adultos jovens em esquemas específicos.
  • Mulheres já sexualmente ativas: ainda podem se beneficiar da vacina, mesmo que já tenham tido contato com algum subtipo do vírus, já que a vacina protege contra outros subtipos aos quais ainda não foram expostas.
  • Vacinação não substitui o rastreio: mesmo mulheres vacinadas devem continuar realizando o rastreio de acordo com as recomendações para sua idade, pois a vacina não cobre 100% dos subtipos oncogênicos.

Entendendo os resultados: NIC, lesões precursoras e classificação

Quando o rastreio identifica alguma alteração, é fundamental entender que existe uma diferença importante entre infecção pelo HPV, lesão precursora e câncer. Esses são estágios diferentes de um processo que, na maioria das vezes, é lento e reversível quando identificado precocemente.

Classificação das lesões pré-malignas (NIC)

A Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é a terminologia histopatológica usada para descrever alterações celulares no colo do útero identificadas em biópsia, classificadas por grau:

  • NIC 1 (lesão de baixo grau): alterações celulares leves, frequentemente associadas a infecções transitórias pelo HPV, com alta taxa de regressão espontânea — especialmente em mulheres mais jovens.
  • NIC 2 (lesão de grau intermediário): alterações mais significativas, que exigem acompanhamento mais próximo e, frequentemente, tratamento, dependendo da idade e desejo reprodutivo da paciente.
  • NIC 3 (lesão de alto grau): alteração pré-maligna mais avançada, considerada a lesão precursora imediata do câncer invasivo, com indicação de tratamento na maioria dos casos.

Em terminologia citológica (Papanicolau), também são usados termos como ASC-US (células escamosas atípicas de significado indeterminado), LSIL (lesão intraepitelial escamosa de baixo grau) e HSIL (lesão intraepitelial escamosa de alto grau), que orientam a conduta — desde repetição do exame em intervalo determinado até a realização de colposcopia e biópsia.

Diagnósticos diferenciais de alterações no colo do útero

Nem toda alteração identificada no exame ginecológico ou na citologia está relacionada ao HPV. Entre os diagnósticos diferenciais mais relevantes, estão:

  • Cervicites de causa infecciosa (por outros agentes, como clamídia, gonococo, herpes).
  • Alterações inflamatórias inespecíficas, frequentemente relacionadas a desequilíbrios da flora vaginal.
  • Pólipos endocervicais (lesões benignas, geralmente sem relação com HPV).
  • Atrofia do epitélio cervical, comum no climatério, que pode mimetizar alterações celulares.
  • Alterações reparativas pós-procedimentos (ex.: após biópsias ou tratamentos prévios).

Por isso, um resultado alterado no Papanicolau não significa, automaticamente, a presença de uma lesão pré-maligna — a investigação complementar (colposcopia, biópsia, teste de HPV) é o que permite a confirmação diagnóstica adequada.

Investigação complementar: colposcopia e biópsia

Quando o rastreio (citologia e/ou teste de HPV) indica risco aumentado, a etapa seguinte é a colposcopia, um exame que permite a visualização ampliada do colo do útero, da vagina e da vulva, com aplicação de soluções específicas que destacam áreas suspeitas.

Como funciona a colposcopia

Durante o exame, a médica utiliza um aparelho chamado colposcópio, que não é inserido no corpo, apenas posicionado externamente para ampliação da imagem, e aplica soluções (como ácido acético e, em alguns casos, solução de iodo) que ajudam a identificar áreas com alterações celulares.

Caso sejam identificadas áreas suspeitas, pode ser realizada uma biópsia dirigida — coleta de um pequeno fragmento de tecido para análise histopatológica, que é o exame que confirma (ou exclui) a presença de lesões pré-malignas e seu grau.

Procedimentos diagnósticos e terapêuticos adicionais

  • Curetagem endocervical: coleta de material do canal endocervical, indicada em situações específicas.
  • Conização (CAF/CONE): procedimento que remove uma porção do colo do útero contendo a lesão, com finalidade diagnóstica e, ao mesmo tempo, terapêutica em muitos casos.
  • Excisão da zona de transformação (EZT): técnica utilizada para remover lesões de alto grau, preservando ao máximo o tecido saudável.

Tratamento das lesões causadas pelo HPV

O tratamento varia significativamente conforme o tipo de lesão identificada, sua extensão, a idade da paciente e o desejo reprodutivo futuro. É importante reforçar: não existe tratamento medicamentoso que “elimine” o HPV do organismo — o que existe é o tratamento das lesões causadas pelo vírus e o acompanhamento até a resolução espontânea da infecção, que ocorre na maioria dos casos.

Condutas conforme o grau da lesão

ClassificaçãoConduta usualObservações
NIC 1Acompanhamento periódicoAlta taxa de regressão espontânea, especialmente em mulheres jovens
NIC 2Acompanhamento ou tratamento excisionalDecisão considera idade e desejo reprodutivo
NIC 3Tratamento excisional (CAF/conização)Considerada lesão precursora imediata do câncer invasivo
Condilomas (verrugas genitais)Cauterização, métodos químicos ou cirúrgicosTratamento da lesão visível; vírus pode permanecer latente

Riscos e contraindicações dos procedimentos excisionais

Os procedimentos de excisão (como CAF e conização), embora eficazes e geralmente seguros, possuem riscos que devem ser discutidos antes da indicação:

  • Possível associação com maior risco de parto prematuro em gestações futuras, especialmente quando há remoção de porções mais extensas do colo do útero.
  • Estenose cervical (estreitamento do canal do colo do útero), em casos raros.
  • Necessidade de acompanhamento pós-procedimento para garantir a remoção completa da lesão e monitorar recidivas.

Por isso, a indicação de qualquer procedimento excisional deve ser proporcional ao grau da lesão e ao risco real de progressão — tratar de forma excessiva lesões de baixo grau, que teriam alta chance de regressão espontânea, expõe a paciente a riscos desnecessários sem benefício clínico correspondente.

Câncer de colo do útero: estadiamento, prognóstico e tratamento

Quando, apesar do rastreio, uma lesão evolui para câncer invasivo, o estadiamento é fundamental para definir o tratamento e estimar o prognóstico. O estadiamento segue classificação reconhecida internacionalmente (FIGO), considerando o tamanho do tumor, sua extensão local e a presença de metástases.

Visão geral dos estágios

  • Estágio I: tumor restrito ao colo do útero.
  • Estágio II: extensão além do colo, mas sem atingir a parede pélvica ou o terço inferior da vagina.
  • Estágio III: extensão até a parede pélvica, terço inferior da vagina, ou comprometimento de linfonodos.
  • Estágio IV: invasão de órgãos adjacentes (bexiga, reto) ou presença de metástases a distância.

De forma geral, quanto mais precoce o estágio no momento do diagnóstico, melhor o prognóstico e menos invasivo o tratamento necessário — o que reforça, mais uma vez, a importância do rastreio regular: a maioria dos casos diagnosticados em estágios iniciais tem excelente perspectiva de tratamento, frequentemente com preservação da fertilidade em mulheres jovens, dependendo do caso.

Modalidades de tratamento

O tratamento do câncer de colo do útero é definido por equipe multidisciplinar (ginecologia oncológica, radioterapia, oncologia clínica) e pode incluir:

  • Cirurgia: desde procedimentos conservadores (em estágios muito iniciais e em pacientes selecionadas) até histerectomia radical, conforme extensão da doença.
  • Radioterapia: isolada ou associada à quimioterapia, especialmente em estágios mais avançados.
  • Quimioterapia: utilizada de forma concomitante à radioterapia (quimiorradioterapia) ou em contextos paliativos.
  • Imunoterapia: opção em discussão e expansão para casos selecionados, conforme avanços recentes na oncologia.

Prognóstico

O prognóstico do câncer de colo do útero está diretamente relacionado ao estágio no diagnóstico, ao tipo histológico do tumor, ao estado geral de saúde da paciente e à resposta ao tratamento. Tumores diagnosticados em estágios iniciais apresentam taxas de sobrevida significativamente mais favoráveis em comparação a diagnósticos em estágios avançados — o que reforça, de forma definitiva, por que o rastreio não é opcional: ele é a principal ferramenta para que o diagnóstico ocorra antes que a doença avance.

Temas modernos: rastreamento baseado em DNA-HPV e medicina personalizada

Um dos avanços mais relevantes das últimas décadas no rastreio do câncer de colo do útero é a incorporação do teste de DNA-HPV como método primário de rastreamento em muitos protocolos, substituindo ou complementando a citologia isolada.

Vantagens do rastreio baseado em DNA-HPV

  • Maior sensibilidade para detectar infecções por subtipos de alto risco, mesmo antes do desenvolvimento de alterações celulares visíveis.
  • Possibilidade de intervalos maiores entre coletas em mulheres com resultado negativo, devido ao alto valor preditivo negativo do exame.
  • Possibilidade de autocoleta vaginal em alguns contextos, ampliando o acesso ao rastreio para populações com dificuldade de acesso a exames ginecológicos tradicionais.

Genotipagem e estratificação de risco

A genotipagem — identificação do subtipo específico de HPV presente — permite estratificar melhor o risco individual. Por exemplo, a presença dos subtipos 16 e/ou 18, isoladamente, já justifica conduta diferenciada (como encaminhamento direto para colposcopia), mesmo na ausência de alterações citológicas, devido ao maior potencial oncogênico desses subtipos em comparação a outros tipos de alto risco.

Essa abordagem representa a medicina personalizada aplicada ao rastreio: em vez de uma conduta única para todos os resultados “alterados”, a decisão é individualizada conforme o subtipo identificado, o histórico da paciente e outros fatores de risco associados.

Mitos e verdades sobre HPV

“HPV é sinônimo de câncer”

Mito. A maioria das infecções por HPV é eliminada espontaneamente pelo organismo e nunca evolui para lesões pré-malignas ou câncer. O diagnóstico de HPV indica necessidade de acompanhamento, não um prognóstico de câncer.

“Se o exame deu negativo uma vez, não preciso mais repetir”

Mito. O HPV é uma infecção adquirida ao longo da vida sexual ativa, podendo ocorrer novas exposições. O rastreio deve seguir a periodicidade recomendada, mesmo após resultados negativos.

“Só quem tem muitos parceiros sexuais tem HPV”

Mito. A prevalência de HPV é extremamente alta na população sexualmente ativa em geral, independentemente do número de parceiros — embora múltiplos parceiros aumentem a probabilidade de exposição a diferentes subtipos.

“A vacina contra HPV só é indicada para crianças”

Mito. Embora a faixa etária prioritária seja antes do início da vida sexual, adultos jovens também podem se beneficiar da vacina em esquemas específicos, conforme avaliação médica.

“Ter HPV significa que meu parceiro(a) foi infiel”

Mito, e este é um dos pontos mais delicados. O HPV pode permanecer latente (sem manifestações detectáveis) por longos períodos, sendo impossível determinar com precisão quando ou com quem ocorreu a exposição. Esse tipo de associação costuma gerar sofrimento desnecessário em relacionamentos e não tem fundamento científico para ser usado como “prova” de infidelidade.

A Importância de um acompanhamento ético, técnico e sem alarmismo

Diante de um resultado alterado de exame relacionado ao HPV, é comum que a paciente sinta medo, ansiedade e, muitas vezes, vergonha. Esse é exatamente o momento em que a condução médica faz toda a diferença — entre uma abordagem que informa, acolhe e orienta com base em evidências, e uma abordagem que gera pânico desproporcional ao risco real, ou que induz a procedimentos e tratamentos não justificados pelo quadro clínico.

A Dra. Isabella Gurgel Moreira, médica ginecologista, conduz a investigação e o acompanhamento de alterações relacionadas ao HPV com base em protocolos clínicos reconhecidos e na literatura científica atualizada. Na prática, isso significa:

  • Comunicação clara sobre o significado real do resultado: explicando a diferença entre infecção, lesão precursora e câncer, e o que cada classificação implica em termos de conduta — sem gerar alarmismo desnecessário.
  • Conduta proporcional ao grau da lesão: indicação de acompanhamento, investigação complementar ou tratamento conforme o que está estabelecido nas diretrizes, evitando tanto a subinvestigação quanto a sobreintervenção.
  • Ausência de procedimentos desnecessários: tratamentos excisionais, por exemplo, são reservados para os casos em que o benefício supera claramente os riscos — nunca indicados de forma indiscriminada.
  • Acolhimento do impacto emocional do diagnóstico: o aspecto psicológico de um resultado alterado é reconhecido e endereçado, sem minimizar nem amplificar desnecessariamente a preocupação da paciente.
  • Orientação sobre prevenção (vacinação, rastreio regular, cuidados com parceiros): baseada em evidências, sem julgamentos morais sobre vida sexual ou relacionamentos.

Essa abordagem reflete um compromisso com a medicina real, técnica e ética — sem discursos sensacionalistas, sem promessas de “cura definitiva do HPV” (que não existe como conceito médico, já que o que se trata são as lesões, não o vírus em si), e sem indicação de exames ou procedimentos repetidos sem necessidade clínica.

O atendimento da Dra. Isabella Gurgel Moreira é realizado presencialmente em Manaus, Amazonas, e também remotamente (telemedicina), para pacientes de todo o Brasil, permitindo orientação inicial, interpretação de exames e direcionamento adequado mesmo a distância, com encaminhamento para avaliação presencial quando necessário.

Orientações práticas para a paciente

Diante de tudo o que foi abordado, algumas orientações práticas resumem o que cada mulher pode fazer para se proteger:

  1. Mantenha o rastreio em dia: siga a periodicidade recomendada pela sua médica, mesmo sem sintomas — o câncer de colo do útero, em fases iniciais, costuma ser assintomático.
  2. Considere a vacinação contra HPV: converse com sua médica sobre elegibilidade, independentemente da faixa etária, especialmente se ainda não foi vacinada.
  3. Não ignore resultados alterados, mas também não entre em pânico: busque orientação médica para entender o significado real do resultado e a conduta indicada.
  4. Use preservativo: reduz (embora não elimine totalmente) o risco de transmissão do HPV e de outras ISTs.
  5. Evite o tabagismo: é um fator de risco modificável para persistência do HPV e progressão de lesões.
  6. Compareça aos retornos solicitados: o acompanhamento após resultados alterados é parte essencial do processo — faltas a retornos são uma das principais causas de progressão não identificada de lesões.

Entendendo a biologia do HPV: da infecção à lesão

Para compreender por que o rastreio funciona tão bem na prevenção do câncer de colo do útero, é útil entender, em linhas gerais, como o HPV interage com as células do colo uterino.

A zona de transformação

O colo do útero possui uma região chamada zona de transformação, onde ocorre a junção entre dois tipos de epitélio (escamoso e glandular). Essa região é particularmente vulnerável à infecção pelo HPV e é onde a grande maioria das lesões precursoras se desenvolve. Por isso, os exames de rastreio e a colposcopia são direcionados especialmente a essa área.

Infecção, persistência e progressão

O processo, de forma simplificada, segue etapas:

  1. Infecção inicial: o vírus infecta células da zona de transformação. Na maioria dos casos, o sistema imunológico controla e elimina a infecção dentro de meses a poucos anos.
  2. Persistência: em uma parcela menor de casos, especialmente com subtipos de alto risco (como 16 e 18), a infecção persiste por mais tempo, aumentando o risco de alterações celulares.
  3. Progressão para lesão precursora (NIC): a persistência viral pode levar a alterações progressivas nas células, classificadas conforme o grau (NIC 1, 2 ou 3).
  4. Progressão para câncer invasivo: sem identificação e tratamento, uma fração das lesões de alto grau pode evoluir, ao longo de anos (geralmente uma década ou mais), para câncer invasivo.

Esse processo tipicamente lento, da infecção inicial até o eventual câncer invasivo, quando isso ocorre, costuma levar muitos anos, é exatamente o que torna o rastreio periódico tão eficaz: há uma janela temporal ampla para identificar e tratar lesões.

Por que os subtipos 16 e 18 recebem atenção especial

Os subtipos 16 e 18 do HPV são responsáveis pela maior proporção dos casos de câncer de colo do útero no mundo, sendo o subtipo 16 particularmente associado a um risco aumentado e a um tempo de progressão potencialmente mais rápido em comparação a outros subtipos de alto risco. Por essa razão, protocolos de rastreio baseados em genotipagem frequentemente direcionam essas pacientes para investigação adicional (colposcopia) mesmo na ausência de alterações citológicas evidentes.

HPV não é “um problema só das mulheres”

Embora este artigo seja voltado principalmente ao rastreio em mulheres, é importante destacar que o HPV é uma infecção que afeta pessoas de todos os gêneros, e está associado a outras condições além do câncer de colo do útero.

Outras Neoplasias Associadas ao HPV

  • Câncer de vulva e vagina: também associados a subtipos de alto risco do HPV, embora com menor incidência em comparação ao câncer de colo do útero.
  • Câncer anal: associado ao HPV em ambos os sexos, com rastreamento específico recomendado em grupos de maior risco, como pessoas vivendo com HIV.
  • Câncer de orofaringe: uma proporção crescente de casos de câncer de orofaringe está associada ao HPV, especialmente ao subtipo 16, em homens e mulheres.
  • Câncer de pênis: também pode estar associado a subtipos de alto risco do HPV, embora seja uma neoplasia rara.

O Papel dos parceiros na prevenção

Como o HPV é transmitido por contato, a vacinação de pessoas de todos os gêneros contribui para a chamada imunidade de grupo, reduzindo a circulação do vírus na população como um todo. Além disso, parceiros sexuais de pessoas diagnosticadas com lesões relacionadas ao HPV podem se beneficiar de orientação sobre rastreamento e prevenção, conforme avaliação médica — sempre com foco em informação e prevenção, e não em culpabilização.

HPV e gestação: dúvidas frequentes

A descoberta de HPV ou de alterações no colo do útero durante a gestação gera dúvidas específicas, que merecem esclarecimento.

O HPV afeta a gestação?

Na maioria dos casos, a presença do HPV não impede uma gestação saudável nem está associada a malformações fetais. Verrugas genitais (condilomas) podem, em alguns casos, aumentar de tamanho durante a gestação devido a alterações hormonais e imunológicas, mas isso não significa necessariamente risco para o bebê.

Rastreio e conduta durante a gestação

O rastreio de câncer de colo do útero pode ser realizado durante o pré-natal, conforme indicação. Caso sejam identificadas lesões durante a gestação, a conduta geralmente prioriza o acompanhamento, já que muitos procedimentos diagnósticos e terapêuticos (como conização) podem ser postergados para o período pós-parto, exceto em situações específicas que exijam avaliação mais imediata, decisão que deve ser sempre individualizada com a equipe obstétrica.

Transmissão para o bebê

A transmissão do HPV da mãe para o bebê durante o parto é possível, mas considerada rara, e na maioria dos casos não resulta em consequências clínicas significativas. A presença de HPV materno, isoladamente, geralmente não é indicação de cesárea, essa decisão depende de avaliação obstétrica individualizada, considerando outros fatores.

O Impacto psicológico do diagnóstico e a importância da comunicação

Receber um diagnóstico relacionado ao HPV — seja a identificação do vírus, seja uma lesão precursora, frequentemente desencadeia reações emocionais intensas: medo do câncer, ansiedade sobre a vida sexual e relacionamentos, vergonha e, em alguns casos, sintomas que podem se assemelhar a um quadro de luto ou crise.

Por que a comunicação médica importa tanto

A forma como a informação é transmitida tem impacto direto sobre como a paciente vai lidar com o diagnóstico e seguir as orientações de acompanhamento. Uma comunicação eficaz geralmente inclui:

  • Explicação clara da diferença entre infecção, lesão e câncer, em linguagem acessível.
  • Contextualização da prevalência do HPV, desmistificando a ideia de que é algo “raro” ou “anormal”.
  • Apresentação objetiva da conduta recomendada e do porquê dessa conduta.
  • Espaço para perguntas e validação das emoções da paciente, sem minimizar nem amplificar a situação.

Evitando tanto o Alarmismo quanto a Banalização

Existem dois extremos problemáticos na comunicação sobre HPV: de um lado, o alarmismo, tratar qualquer resultado alterado como “quase câncer”, gerando ansiedade desproporcional e, por vezes, levando a procedimentos desnecessários por pressão da própria paciente; de outro, a banalização, minimizar a importância do acompanhamento, levando a faltas em retornos e perda de seguimento. O equilíbrio entre esses extremos é uma das competências centrais de uma condução médica responsável.

O HPV é uma infecção extremamente comum, e na grande maioria dos casos, não representa uma ameaça grave à saúde, desde que acompanhado adequadamente. O câncer de colo do útero, por sua vez, é uma das neoplasias com maior potencial de prevenção em toda a medicina, justamente porque seu desenvolvimento costuma ser lento e precedido por lesões identificáveis e tratáveis.

Vacinação, rastreio regular e acompanhamento adequado de resultados alterados são as três frentes que, juntas, têm potencial de praticamente eliminar o câncer de colo do útero como causa relevante de morte entre mulheres, um objetivo que diversas organizações de saúde já consideram factível nas próximas décadas.

Independentemente da fase da vida, adolescência, idade reprodutiva, gestação, climatério ou pós menopausa, manter um acompanhamento ginecológico regular, com profissional capacitado e atualizado, é um dos investimentos mais valiosos que uma mulher pode fazer em sua saúde a longo prazo. Click no botão abaixo e acompanhe todas as atualizações através das minhas redes sociais.

Se você está em dúvida sobre quando fazer seu próximo exame de rastreio, recebeu um resultado alterado e não entendeu o que ele significa, ou simplesmente quer conversar sobre vacinação contra HPV, agende uma consulta com a Dra. Isabella Gurgel Moreira, presencialmente em Manaus ou remotamente, de qualquer lugar do Brasil e tenha acesso a informação clara, acolhedora e tecnicamente fundamentada.

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